“— Carta de suicídio encontrada no chão, ao lado do corpo.
Eu não sinto nenhum ânimo em estar aqui, não sinto praticamente nada, e estaria mentindo se dissesse que sinto. È bom estar aqui, Deus sabe o quanto eu gosto de ter quem eu tenho ao meu lado, mas não é o suficiente. Eu só fui enxergar o quanto as coisas eram boas depois que elas acabaram. Falta de inteligência da minha parte. Às vezes coloco um sorriso no rosto, que parece verdadeiro, mas na verdade ele é falso. Acho que eu merecia um prêmio por esconder isso por tanto tempo, mas enfim, agora não preciso mais. Eu sou muito sensível, coisa pouca me comove, me emociona, e eu tenho que lutar pra sentir algum entusiasmo que seja. Às vezes parece que as coisas passam por mim e não deixam rastro nenhum de que passaram. Eu posso sentir emoção com tudo, aquela vontade de chorar, mas não sinto emoção em viver. Não consigo mais continuar desse jeito, me sentindo tão… fútil, e ocupando um espaço desnecessário na Terra, um desperdício. Nem todos gostam de mim, e praqueles que não gostam, eu compreendo vocês, nem eu mesma me gosto. Mas a partir de hoje não precisarão se preocupar comigo, não estarei mais aqui. E à quem me ama, eu amo você também, e não apague todas as memórias nossas, apenas as guarde, com muito carinho, no fundo do seu coração. Pois depois de minha morte, podem me abrir por inteira, que vão encontrar vestígios seus em toda parte.”